“Assim diz o Senhor: Ponham-se à margem do caminho e olhem, perguntem pelos caminhos antigos, qual é o bom caminho; andem por ele e acharão descanso para a sua alma; mas vocês disseram: Não andaremos.” Jeremias 6.16
Definitivamente, vivemos numa era acelerada. Nunca antes na história da humanidade tantas coisas aconteceram em tão pouco tempo. Somos a geração mais informada, mais atualizada, mais acelerada… e mais estressada da História. As conseqüências disso estão muito mais presentes no nosso dia-a-dia do que geralmente imaginamos… Reflita comigo sobre algumas tendências e influências dessa aceleração do tempo:
1) Desprezo pelo antigo e fascinação pelo novo. Confundimos o antigo com o antiquado. Vivendo numa era acelerada, aumentamos a distância histórica em relação ao passado. Um ano atrás, hoje, parece mais distante do que 10 anos atrás, ontem. Alguém já disse que sabemos tudo que aconteceu nas últimas 24 horas e nada do que aconteceu há 24 anos. Com isso, o passado perde seu valor como referência para o presente e acabamos cada vez mais viciados e dependentes das novidades. O antigo já não satisfaz. O critério (prazo) de validade dos nossos produtos não tem mais a ver com sua vida útil (sua utilidade), mas com a sua comparação com o novo lançamento no mercado. Nosso carro é muito bom até que se lance um modelo diferente. O resultado é o nascimento de uma geração insatisfeita e consumista. Na hora do desespero, alguns cheiram cocaína… outros vão ao shopping.
2) Desprezo pelo ordinário e fascinação pelo extraordinário. Acostumados (e viciados) com as novidades, perdemos o encanto pelo cotidiano. A rotina se tornou uma maldição. Nesta era acelerada, se o antigo já não satisfaz, o ordinário também não. Rápida e perigosamente, vamos perdendo a sensibilidade e o prazer nas pequenas coisas do dia-a-dia. O cotidiano se tornou uma obrigação, um mal necessário. O resultado disso tudo é o fim dos casamentos, a desunião das famílias, o desprazer do trabalho e, no campo da religião, a rotatividade e a migração religiosa: cansadas da rotina, cada vez mais as pessoas buscam novas e excitantes experiências espirituais.
Diante dessas influências, o profeta Jeremias nos faz um apelo: “Ponham-se à margem do caminho…”. É tempo de dar uma parada! É preciso desacelerar. Não precisamos de mais ação, mas de um pouco de reflexão. Não é por acaso que lendo os Evangelhos vez por outra encontramos o Senhor Jesus se retirando para um lugar deserto, a fim de orar, a fim de dar uma parada, a fim de refletir sobre a vida, sobre o ministério, sobre a missão…
A melhor definição que já li sobre o fanático é aquela que diz: “fanático é uma pessoa que, indecisa quanto à sua direção, dobra sua velocidade”. Precisamos urgentemente dar uma reduzida, se não quisermos nos tornar fanáticos, alucinados e perder a razão e a própria identidade.
Mas o profeta ainda diz: “perguntem pelos caminhos antigos, qual é o bom caminho”. Andando na contramão, Jeremias nos diz que o bom caminho não está na inovação, mas na restauração de veredas antigas. Em algum lugar da caminhada, saímos do rumo, perdemos a referência. É tempo de voltar atrás. Esse é o sentido exato da palavra “arrependimento”: voltar atrás. Precisamos redescobrir o bom caminho, o caminho da vida devocional, da piedade cristã, o caminho da vida moral, da conduta e do caráter de Cristo, o caminho da vida comunitária, da legitima comunhão cristã, dos “membros uns dos outros”, o caminho da vida missionária, do testemunho cristão. É tempo de arrumar a própria casa. Antes de olhar pra fora, é preciso olhar pra dentro, cuidar de quem somos, para não acabar descobrindo que nunca fomos aquilo pensávamos ser…

17-02-2010 @ 12:00 am
Clinton, obrigado pela palavra. Que Deus te abençoe. Grande abraço, Guilherme.