SOS Família

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O ex-presidente americano Theodore Roosevelt disse certa vez que “Nenhum sucesso na vida – ser presidente de uma nação, ser rico, freqüentar faculdade, escrever um livro ou qualquer outra coisa – é capaz de sobrepujar o sucesso do homem que tem a sensação do dever cumprido e cujos filhos e netos se levantam e o chamam de abençoado”. Definitivamente, nenhum sucesso na vida compensa o fracasso na família. No entanto, vivemos dias em que, na busca pelo sucesso pessoal, muitas vezes acabamos sacrificando aquilo que sabemos ser o melhor e mais importante: o nosso lar.

Possivelmente, o maior inimigo da saúde familiar em nossos dias seja o individualismo, que entronizou o “eu” e deserdou o “nós”. Tudo hoje é voltado para o meu desejo, o meu prazer, a minha satisfação, o meu conforto… Crescemos aprendendo que o que importa é ser feliz e que isso é a coisa mais importante da vida. Quando casamos, nossa maior aspiração é encontrar a pessoa certa, aquela que seja o par ideal, que se encaixe como uma luva, a “alma gêmea”…

Paralelamente, também crescemos aprendendo que para tudo na vida existem opções. Hoje, mais do que em qualquer outra época, vivemos o “império das opções”. Nas sensíveis palavras de Rubem Amorese, “desenvolvemos uma consciência de que para tudo há opções no mercado. Há opções para sabonetes, para alimentação, de visual, de roupas, de postura social, de sexo, de profissão, de cor dos olhos, de sexo do bebê, de tudo. Numa sociedade pluralista como a nossa, a única coisa que nos resta em comum, é a imensa capacidade de optar. Nada mais é obrigatório. Cresce entre nós a consciência, normalmente inconsciente, de que para tudo, na vida, há opções. E essas prateleiras abarrotadas e fragmentadas fazem de nós pessoas volúveis, inconstantes e superficiais. Aprendemos a trocar de marca, de produto; a experimentar cheiros, cores, gostos, estilos novos. E como o fenômeno é inconsciente, fazemos o mesmo com relacionamentos, afetos, doutrinas, idéias, valores etc”.

Assim, vivemos tensionados entre estas duas poderosas influências: de um lado, o individualismo, e do outro, o pluralismo. O resultado disso é a formação de uma geração que não sabe mais o significado de palavras como fidelidade, compromisso, permanência e perseverança. Como existem opções para tudo, e como o que importa é a minha felicidade, o meu sucesso, se algo não me agrada, de imediato posso dar, vender, trocar, enfim, substituir.

Hoje, “ninguém é de ninguém”. Nossos relacionamentos são cada vez mais volúveis, utilitários e superficiais. Com a mesma rapidez com que podemos fazer um novo amigo na sala de bate-papo da internet, também podemos “eliminá-lo”, pressionando apenas uma tecla. Nos casamentos, existe hoje o sentimento de “vamos fazer uma experiência: se não der certo…”. Como tudo é muito “fácil” e existem sempre novas opções, novidades à mão, não fincamos raízes e a nossa satisfação pessoal e imediata se torna o único critério de permanência e fidelidade. “Que seja eterno enquanto dure”. Exigimos que os outros nos aceitem e tolerem, mas não temos a menor disposição para aceitar e tolerar os outros. No “império das opções”, o “individualismo” se torna o novo imperador.

Diante dessa realidade, se faz necessário começar a refletir profundamente sobre alguns valores esquecidos e sobre como podemos resgatar a saúde emocional da família. Viver em família significa uma opção pelo compartilhamento e pela fidelidade. Quando vivemos em família, nem sempre o que eu penso é o melhor pensamento, nem sempre a minha decisão é a melhor decisão, nem sempre o meu desejo é o melhor desejo. Viver em família significa aprender a compartilhar, dividir, dar e receber. Ao contrário do que faz parte do senso comum, o grande segredo do casamento não é encontrar a pessoa certa, mas ser a pessoa certa. Antes de ser feliz, precisamos fazer o outro feliz. Precisamos ensinar aos nossos filhos que ainda vale a pena ser fiel, que ainda vale a pena amar e ser amado, que ainda vale a pena perder para ganhar. A saúde das nossas famílias depende da disposição do nosso coração. O segredo para o sucesso da família não está nas inovações da tecnologia, mas na sabedoria dos antigos…

Pr. Clinton

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