Escolhas

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Em minha experiência orientando pessoas nestes últimos 20 anos, posso dizer que existe uma tendência em se buscar técnicas e teclas de atalho. Atalhos para o sucesso, para emagrecer, para amar e ser amado, para ser feliz… Entretanto, não se conquista nada, muito menos uma vida plena através de atalhos. Não há atalhos. Eles são como propagandas enganosas. E nós já sabemos disso quando entramos neles. O que existe é um caminho baseado em princípios desenvolvidos ao longo da vida. São estes princípios que norteiam as nossas ESCOLHAS. Uma vida plena não depende do que obtemos, mas sim do sentido de cada coisa que fazemos.

A dificuldade em alinhar as prioridades se deve ao uso das ferramentas que escolhemos para tomar decisões: o relógio e a bússola. O relógio representa tanto os compromissos imediatos (crises, reuniões, os horários e as atividades) como também as coisas que tenho ao meu alcance agora, os meus prazeres imediatos. A bússola representa nossa visão, valores, princípios, missão, consciência e direção, e as coisas que digo serem importantes no meu futuro como saúde, consciência limpa, uma relação feliz e uma família saudável. São coisas que dizemos importantes na vida.

O conflito se estabelece quando escolhemos pelo critério do relógio (fazendo as coisas urgentes ou as que são prazerosas hoje) e esperamos colher resultados das escolhas baseadas na bússola, que são as coisas importantes e que vão nos dar prazer ao longo da vida, mas não no momento imediato. Essa lacuna é a incongruência de cada um de nós. Às vezes, tomamos consciência dessa lacuna de um modo dramático. A perda de um ente querido, por exemplo. De repente, ele se foi e percebemos que a realidade poderia ter sido muito diferente, se, ao invés de estarmos tão ocupados em subir a “escada do sucesso”, tivéssemos investido uma parte mais nobre do tempo semeando e cultivando um relacionamento enriquecedor.

A chave para qualidade de vida é usar a bússola para as escolhas diárias. Quando aprendemos a fazer uma pausa no espaço entre o estímulo e a resposta e a consultar nossa bússola interna, podemos enfrentar as mudanças sem perder o prumo, seguros de estarmos sendo verdadeiros com os princípios e o objetivo, e de estarmos colocando as prioridades no devido lugar.

Diante de uma proposta, uma promessa, um caminho ou uma tentação qualquer, ao invés de consultar o seu coração (como dizem por aí: siga o seu coração) consulte o seu futuro: isso que está ao meu alcance agora vai me levar para onde realmente eu quero chegar? O tempo será o juiz, assim como se conhece uma árvore pelos seus frutos. Você está satisfeito com sua colheita?

Roberto Aylmer
Médico, consultor e escritor.  Membro da Academia Fluminense de Medicina

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